Memórias Do Subsolo

volume

Memórias Do Subsolo

por Fiódor Dostoiévski

16 de maio de 2026 — 17 de maio de 2026

ficou na estante com7 de 10

em busca silenciosa, claustrofóbico e desolado

em espiral mas denso de pensamento

Marcações

  • Estou mais ou menos na metade. Algumas partes me lembram Thomas Mann, com narrativa muito introspectiva, muito rebuscada, pesada, que desengaja. Outras partes, com contextos expandidos, histórias com mais personagens, me lembra mais Albert Camus, com observações do mundo externo, com alguma ironia. Também lembra as partes mais fluidas de Thomas Mann.

  • A metade final é bem mais interessante. Lembra narrativa de O Estrangeiro, em que Albert Camus segue com comportamento paradoxal mas conectando diretamente com acontecimentos na história, outros personagens. As reflexões são realistas e racionais, o readability aumenta muito. O início do livro é mais desafiador.

  • ele se lembrará dos danos sofridos, até mesmo dos menores e mais deploráveis detalhes, e cada vez acrescentará, por si mesmo, detalhes ainda mais deploráveis, provocando-se com malícia e atormentando-se com sua própria imaginação. Ele mesmo se envergonhará de suas divagações, mas ainda assim se lembrará de tudo, repassará cada detalhe, inventará palavras jamais ouvidas contra si mesmo, fingindo que todas elas poderiam lhe acontecer, e não perdoará nada.

    p. 21

  • Quantas vezes não aconteceu comigo, por exemplo, de simplesmente sentir-me ofendido não por um motivo especial, mas de propósito; e tenho consciência, é claro, dos momentos em que me ofendo de tal forma. Estaria, portanto, fingindo, mas ainda assim poder-se-ia chegar a ponto de sentir-me ofendido de verdade.

    p. 30

  • Quem sabe (não há como afirmar com certeza), talvez a única meta em prol da qual a humanidade se esforça na Terra resida no processo incessante de se alcançar uma meta, em outras palavras, na própria vida, e não naquilo que deveria ser alcançado, que deve sempre ser expresso como uma fórmula, tão certeira quanto dois vezes dois são quatro, e tal convicção não é vida, senhores, e sim o começo da morte.

    p. 55

  • Ora, o sofrimento é a única origem da consciência. Embora tenha declarado no início que a consciência é o maior infortúnio para o homem, sei que o homem a valoriza e não desistiria dela por qualquer compensação. A consciência, por exemplo, é infinitamente superior à afirmação de que dois vezes dois são quatro. Uma vez que há certeza matemática, não existe mais nada a se fa- zer ou entender.

    p. 57

  • uma autobiografia verdadeira é quase impossível e que o homem está fadado a mentir sobre si.

    p. 66

  • eu dispunha de um meio de fuga capaz de reconciliar tudo: encontrar refúgio “no sublime e no belo”, nos sonhos, é claro.

    p. 91

  • Passei a odiá-lo em especial nas classes mais avançadas. Nas aulas mais básicas, ele fora apenas um menino bonito e brincalhão de quem todos gostavam. Eu o odiava, no entanto, mesmo nas aulas mais básicas, só porque ele era um menino bonito e brincalhão.

    p. 100

  • Eu os odiava terrivelmente, embora talvez fosse pior do que qualquer um deles. Retribuíram-me na mesma moeda e não esconderam sua aversão por mim. Mas, a essa altura, eu não desejava seu afeto: ao contrário, ansiava continuamente por sua humilhação.

    p. 108

  • com amor se pode até viver sem felicidade. Mesmo na tristeza, a vida é doce; a vida é doce, seja como for.

    p. 141

  • Ele fazia seu trabalho com o ar de estar me fazendo um favor imenso, embora quase não fizesse nada por mim e, de fato, não se considerasse obrigado a fazer nada. Não havia dúvida de que ele me enxergava como o maior idiota do mundo e que ele "só não se livrava de mim" porque todo mês obtinha de mim um salário. Ele consentiu em não fazer nada por mim por sete rublos por mês.

    p. 169

  • E nunca vou perdoá-la pelas lágrimas que não pude evitar derramar diante de você agora, que nem uma mulher tola envergonhada! E também não a perdoarei pelo que lhe confesso agora!

    p. 181

  • eu já era incapaz de amar, pois, repito, para mim amar significava tiranizar e demonstrar a minha superioridade moral. Nunca na vida fui capaz de imaginar outro tipo de amor, e hoje chego a ponto de às vezes pensar que o amor consiste realmente no direito – dado de graça pelo objeto amado – de tiranizá-la.

    p. 186

  • Ressentimento, ora, é purificação; é uma consciência mais pungente e dolorosa! Amanhã eu deveria contaminar sua alma e exaurir seu coração, enquanto agora o sentimento de insulto nunca morrerá em seu coração, e por mais repugnante que seja a sujeira à sua espera, o sentimento de insulto a elevará e a purificará... pelo ódio... hm!... talvez, também, por perdão... Será que essas contingências tornarão mais fácil para ela a situação...?

    p. 189

Proveniência

Literatura russa é a base de muitos autores clássicos mundiais.

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em busca silenciosa · incisivo · serpenteante · compacto