
volume
Um Retrato do Artista Quando Jovem
por James Joe
28 de março de 2026 — 30 de março de 2026
ficou na estante com4 de 10
reflexivo, íntimo e lírico
serpenteante mas em camadas
Marcações
Segunda metade do livro vem com grandes blocos pensados para criar confusão na leitura. Mas diferente de Virgínia Woolf, cria reflexões complexas, filosóficas, muito difíceis de serem compreendidas até por pessoas inteligentes e sofisticadas. O autor claramente quer colocar o leitor em uma posição de inferioridade e sofrimento. Não é o tipo de leitura que eu goste, corri para terminar logo.
No meio do livro: senti muito arrastada a parte do fim da adolescência. Para mim, as reflexões religiosas pesaram e faltou dinamismo. Pensei em como essa densidade pode tornar a leitura um desafio para a permanência de muitos.
“Ele não queria brincar. Queria encontrar no mundo real a imagem insubstancial que sua alma tão constantemente contemplava. Não sabia onde ou como descobri-la, mas uma premonição que o fez ir em frente disse-lhe que essa imagem, sem qualquer ação manifesta de sua parte, iria achá-lo. Eles se encontraram silenciosamente como se fossem velhos conhecidos e tivessem marcado o encontro, talvez num dos portões ou nalgum lugar mais secreto. estariam sozinhos, rodeados pela escuridão e pelo silêncio: e naquele momento de suprema ternura ele se transfiguraria. Ele se desvaneceria em algo impalpável sob os olhos dela e então se transfiguraria instantaneamente. Fraqueza e timidez e inexperiência o abandonariam nesse momento mágico.”
p. 62
“Sua natureza sensível ainda sofria sob o império de um tipo de vida sórdido e irredimível. Sua alma ainda estava perturbada e deprimida pelo estagnante fenômeno que era Dublin.”
p. 74
“das palavras do fragmento de Shelley sobre a lua vagando sem companhia, pálida de tédio. As estrelas começaram a se desfazer e uma delicada nuvem de poeira de estrelas rolou pelo espaço afora. ... Quando, de seu primeiro pecado violento, ele sentira uma onda de vitalidade esvair-se dele e temera ver seu corpo ou sua alma deformados pelo excesso. Em vez disso, a onda vital o transportara em seu regaço para fora de si mesmo, e ao recuar o trouxera de volta: e nenhuma parte de seu corpo ou de sua alma fora deformada, mas uma paz sombria se estabelecera entre eles.”
p. 97
“Sua alma se espessava e coagulava, transformando-se numa graxa grossa, afundando cada vez mais profundamente, em seu medo cego, num crepúsculo sombrio e ameaçador, enquanto o corpo que era seu permanecia ali, inerte e desonrado, olhando fixo do fundo de olhos escurecidos, indefeso, perturbado e humano, para ser contemplado por um deus bovino.”
p. 104
“—A última tortura e a que coroa todas as torturas desse lugar horrível é a eternidade do inferno. Eternidade! Oh, palavra assombrosa e assustadora. Eternidade! Que mente humana pode compreendê-la? E lembrai-vos, é uma eternidade de dor. Ainda que as dores do inferno não fossem tão terríveis como são, por estarem destinadas a durar para sempre, elas não deixariam de ser infinitas. Mas embora sejam perpétuas, elas são ao mesmo tempo, como sabeis, intoleravelmente intensas, insuportavelmente extensas. Suportar apenas a picada de um inseto por toda a eternidade já seria um tormento pavoroso. O que deve ser, então, suportar as múltiplas torturas do inferno para sempre? Para sempre! Para toda a eternidade!”
p. 122
“O objetivo do artista é a criação do belo. Agora saber o que é o belo é outra questão.”
p. 172
“as obras do sr. W. S. Gilbert. Em uma de suas canções ele fala de um trapaceiro do bilhar que é condenado a jogar eternamente:”
p. 177
“Se você guardar isso na memória, verá que a arte se divide necessariamente em três formas, progredindo de uma para a seguinte. Essas formas são: a forma lírica, a forma em que o artista apresenta sua imagem em relação imediata consigo mesmo; a forma épica, a forma em que ele apresenta sua imagem em relação mediata consigo mesmo e os outros; a forma dramática, a forma em que ele apresenta sua imagem em relação imediata com os outros.”
p. 198
Da mesma textura
em busca silenciosa · lírico · em espiral · denso de pensamento