
volume
A Morte em Veneza
por Thomas Mann
1 de abril de 2026 — 3 de abril de 2026
ficou na estante com5 de 10
solene, febril e assombrado
em espiral mas compacto
Marcações
Leitura rebuscada, antiga, pouco progresso na história e já passamos quase 1/3 do livro. Estou pouco engajado, risco de não terminar o livro.
Depois do primeiro terço ou da primeira metade, o livro fica dinâmico e a linguagem mais direta. A história nos prende, transmite emoções. Talvez fosse nota 7 ou 8 a metade final. Mas o conjunto fica ainda prejudicado.
“Amava o mar por razões profundas: pela ânsia de paz e sossego do artista laborioso que nutria o desejo de se proteger, no seio da simplicidade, da imensidão, contra a exigente diversidade das apa- rências; por um pendor proibido, oposto à sua atividade e, portanto, sedutor, que o levava ao de- sestruturado, ao excessivo, ao eterno, ao nada. Repousar na perfeição é o anseio daquele que se esforça para alcançar a excelência em sua obra; e o nada não é ele mesmo uma forma de perfeição?”
p. 113
“aos primeiros raios de sol, despertava-o. um choque suave e penetrante; o coração se lem- brava da aventura, já não deixava que os traves- seiros o incomodassem; se levantava e, agasalha- do levemente contra o frescor da manhã, se sentava ao lado da janela aberta, observando o esperado nascer do sol. O maravilhoso evento en- chia sua alma sonolenta de adoração. O céu, a terra e o mar ainda jaziam na palidez fantasma- górica e vítrea do crepúsculo; uma estrela desbo- tada ainda pairava no espaço insubstancial.”
p. 173
“Não há relacionamento mais estranho, mais delicado, que a relação entre pessoas que se conhecem com os olhos — que se encontram todos os dias, mesmo de hora em hora, se observam e são obrigadas a manter a aparência de estranheza indiferente sem dizer palavra ou dirigir saudação por restrições morais ou por caprichos próprios. Entre eles existem inquietação e curiosidade exageradas, a histeria de uma necessidade insatisfeita e artificialmente reprimida de conhecimento e troca e, acima de tudo, uma espécie de respeito ansioso. Pois o homem ama e honra o homem enquanto é incapaz de julgá-lo, e o desejo é produto de um conhecimento insuficiente.”
p. 177
“seu coração se encheu de sa- tisfação com a aventura na qual o mundo exte- rior estava prestes a entrar. Porque a paixão, tal como o crime, não é adequada à ordem segura e ao bem-estar da vida cotidiana, e cada afrouxa- mento da estrutura civil, cada confusão e cada calamidade do mundo devem ser bem-vindas, porque podemos esperar, de um jeito vago, en- contrar nelas alguma vantagem.”
p. 194
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