
volume
A Queda
por Albert Camus
26 de abril de 2026 — 28 de abril de 2026
ficou na estante com9 de 10
em busca silenciosa, desolado e claustrofóbico
em espiral mas denso de pensamento
Relíquias
fragmentos ilegíveis do exemplar lido — a margem material
Marcações
Muito particular a narrativa. Uma palestra que engaja. Muito sofisticado o texto. Trama interessante, que nos prende. Acho que a história de O Estrangeiro me prendeu mais, mas é certamente um autor com estilo que me agrada muito. Reflexão forte, atemporal. Quero ler os outros livros do autor.
“Quando se pensou muito sobre o homem, por trabalho ou vocação, às vezes sente-se nostalgia dos primatas. Estes não têm outros pensamentos.”
p. 6
“A noite, nunca passo numa ponte. É consequência de uma promessa. Suponha, enfim, que alguém se atire à água. De duas uma, ou o senhor o segue, para retirá-lo e no tempo de frio arrisca-se ao pior, ou o abandona, e os mergulhos retidos deixam, às vezes, estranhas cãibras.”
p. 14
“Tive mesmo a sorte de me oferecerem por duas ou três vezes a Legião de Honra, que eu pude recusar com uma dignidade discreta, na qual encontrava minha verdadeira recompensa.”
p. 17
“é elevar-se acima da ambição vulgar e içar-se ao ponto culminante, onde a virtude só busca alimentar-se de si própria.”
p. 20
“A amizade é menos simples. A sua aquisição é longa e difícil mas, quando se obtém, já não há meios de nos livrarmos dela, temos de enfrentá-la. Sobretudo, não acredite que os seus amigos lhe telefonarão todas as noites, como deviam, para saber se não é precisamente essa a noite em que decidiu suicidar-se ou, mais simplesmente, se não tem necessidade de companhia, se não está com vontade de sair. Oh, não, se telefonarem, pode ficar certo, será na noite em que já não está só e em que a vida é bela.”
p. 25
“Mas sabe por que somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há obrigações.”
p. 26
“Não tenho o coração seco, longe disso, mas, pelo contrário, cheio de ternura, e mais, tenho a lágrima sempre fácil.”
p. 44
“Nenhum homem é hipócrita nos seus prazeres”
p. 49
“Uma vez morto, eles se aproveitarão disso para atribuir ao gesto motivos idiotas ou vulgares. Os mártires, caro amigo, têm de escolher entre serem esquecidos, ridicularizados ou usados. Quanto a ser compreendidos, isso, nunca.”
p. 58
“Pode-se às vezes, ver mais claro em quem mente do que em quem fala a verdade. A verdade, como a luz, cega. A mentira, ao contrário, é um belo crepúsculo, que valoriza cada objeto.”
p. 92
Proveniência
Gostei muito muito de O Estrangeiro, foi a escolha natural para explorar mais do autor.
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